Do Fogo Nascemos

“Do Fogo Nascemos” é uma canção original criada pelo Alô! Madeira, dedicada à ilha — à sua origem, à força da sua paisagem e ao esforço humano que a transformou num lugar habitado, cultivado e vivido ao longo dos séculos.

A letra percorre a formação vulcânica da ilha, a chegada dos primeiros povoadores, a construção dos poios e das levadas, a emigração e a ligação profunda que os madeirenses mantêm com a sua terra, dentro e fora dela.


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Letra

Do fundo da terra nasceu claridade
lava moldando a eternidade
verde ergueu-se sobre o ardor
vida vencendo o antigo calor

Bruma guardando a serra fechada
água correndo pela encosta rasgada
ilha sozinha no meio do azul
antes do rumo existir norte ou sul

Velas romperam o tempo do mar
homens sem mapa vieram ficar
beijaram chão por desbravar
e fizeram promessa de ali morar

Entre a floresta escura e profunda
nasceu a coragem que nunca se afunda
sem pão, sem estrada, sem abrigo certo
fizeram futuro num mundo deserto

Ó Madeira erguida do fogo e do mar
foi braço humano que te fez habitar
dos poios à serra da levada à ribeira
cada pedra vencida tornou-te inteira
honra aos antigos de mão calejada
que deram à fome resposta lavrada
somos herança de quem não cedeu
um povo que a rocha endureceu

Machados abriram caminhos no monte
água correu onde não havia fonte
levada a levada venceram altura
levando esperança à terra mais dura

Nos socalcos suspensos entre céu e chão
cresceu a vida da população
ao cair da noite dormia o cansaço
ao nascer do dia voltava o abraço

Da ilha partiram além do horizonte
levando saudade escondida na fonte
açúcar e vinho cruzaram o mundo
nome pequeno destino profundo

Cada partida deixava raiz
quem sai da ilha nunca a diz adeus diz fui
porque quem nasce nesta imensidão
leva a Madeira no coração

Ó Madeira erguida do fogo e do mar
foi braço humano que te fez habitar
dos poios à serra da levada à ribeira
cada pedra vencida tornou-te inteira
honra aos antigos de mão calejada
que deram à fome resposta lavrada
somos herança de quem não cedeu
um povo que a rocha endureceu

Tempestade fome distância e dor
vidas dobradas mas nunca o valor
entre partidas mantiveram chama
uma ilha vive enquanto alguém a ama

Hoje há luz onde havia penedo
mas vive no povo o antigo segredo
do fogo nasceste nós fizemos ficar
Madeira eterna filha do mar